Como cada país possui suas regras econômicas, a atuação dos bancos também opera de forma singular em cada país. Desse modo, os bancos brasileiros possuem características próprias e que os diferenciam de bancos estrangeiros, tanto de economias desenvolvidas quanto de economias emergentes. E para te explicar mais sobre essa diferenciação, listamos no post de hoje alguns aspectos importantes que você precisa saber, bem como suas principais características no cenário econômico. 

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Concentração bancária

Graças aos diferentes processos de fusão ocorridos, principalmente, após 2006, a taxa de concentração bancária no Brasil atingiu níveis surpreendentes: os cinco principais bancos brasileiros já possuíam mais de 80% dos ativos em todo o país em agosto de 2015.

Embora em países como Estados Unidos e Canadá essa concentração também exista parcialmente — três dos maiores bancos de lá concentram 60% dos ativos, por exemplo —, o efeito é muito maior nos bancos brasileiros. Segundo o FMI, inclusive, a taxa ideal é de apenas 40% para economias emergentes ou plenamente desenvolvidas.

Spread econômico

O spread econômico é a diferença entre a taxa de juros que o banco paga para adquirir dinheiro e a taxa de juros que ele cobra para emprestar. Quanto mais elevado for o spread, maior é o lucro para os bancos. Segundo um estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial (FEM) em 2010, o spread dos bancos brasileiros era de 35,4 — e só não era maior do que o do Zimbábue.Nesse mesmo período, o lucro dos bancos era aproximadamente 1/3 do spread. Em comparação com os bancos estrangeiros, o Paraguai, por exemplo, possuía spread de 27,2, enquanto a Holanda tinha spread negativo de 0,6. O Brasil ficou com a terceira posição em 2014,  no ranking de spread bancário realizado pelo Banco Mundial, com um valor de 22% ao ano.

A FEBRABAN defende os bancos brasileiros, atribuindo à inadimplência, impostos e insegurança jurídica a responsabilidade pelos valores de spreads recordes. As incertezas da economia também é outro fator que possui influência nos valores do Spread, mas o fator predominante é a concentração bancária, já que os grandes bancos passam a praticar taxas elevadas e parecidas para garantir seus lucros.

Rentabilidade sobre o patrimônio

A concentração bancária leva a um segundo efeito e ponto de diferenciação entre bancos brasileiros e estrangeiros: a rentabilidade sobre o patrimônio (ROE).

A ROE é um indicador financeiro percentual que se refere à capacidade de uma empresa em agregar valor a ela mesma utilizando os seus próprios recursos. Isto é, o quanto ela consegue crescer usando nada além daquilo que ela já tem. Este indicador é frequentemente utilizado por investidores, acionistas, financeiras, e outras entidades para acompanhar o potencial e estabilidade de uma empresa.

Em 2014, a rentabilidade sobre o patrimônio dos quatro maiores bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23%. No mesmo período, o ROE de bancos dos Estados Unidos foi de apenas 7,68%.

Um ponto que chamou a atenção no estudo da consultoria Economática, foi que, retirando o filtro dos grandes bancos ( ou seja, aqueles que possuem ativo total superior a US$ 100 Bilhões), a média dos ROEs de todos os bancos brasileiros e americanos praticamente coincidem.  Os brasileiros encerraram 2014 com rentabilidade de 9,80% contra 8,47% dos americanos.

Os bancos grandes se diferenciam dos médios pelo próprio porte. Isto possibilita um custo de captação mais barato, dado o menor risco de solvência. Segundo, a receita não está concentrada somente na margem financeira ( empréstimos e aplicações em títulos públicos e privados), mas possuem uma diversificação, como receitas de serviços e seguros. Terceiro, os grandes bancos desfrutam de elevados créditos tributários, seja diante dos robustos provisionamentos, seja por conta de aquisições efetuadas.

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Investimentos em tecnologia

De acordo com a Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária, os bancos brasileiros são os que mais realizam investimentos em tecnologias entre os países emergentes, à exceção da China. Em 2014, esses investimentos foram de US$ 11,9 bilhões, enquanto países como a Índia, Rússia e Argentina investiram, respectivamente, US$ 7,7, US$ 4,1 e US$ 1,8 bilhões. Em 2015, R$ 19 bilhões foram os investimentos das instituições financeiras em tecnologia no Brasil, o que contribui para manter o País na vanguarda mundial dessa área.

 

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Quando comparados os gastos em TI no setor bancário como proporção do PIB, o Brasil situa-se na 7º posição, considerando-se as 10 maiores economias.

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As principais diferenças dos bancos brasileiros em relação aos estrangeiros dizem respeito à concentração bancária, ao valor do spread, à rentabilidade sobre o patrimônio e aos investimentos em tecnologia, o que, inclusive, explica parte do comportamento da economia brasileira. Você gostaria de outros dados e informações sobre o assunto? Além dos dados disponibilizados no artigo, desenvolvemos um Ebook completo sobre o Panorama do mercado Bancário Nacional e Internacional, abordando o sistema financeiro Islâmico, Inglês, Brasileiro, Suíço e Norte-Americano.  Faça o download gratuito do Ebook!

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