Tendências importantes para o spread e inadimplência

A inadimplência confirma mínima histórica em 3,0% e o spread bancário volta a se elevar, alcançando 13,1%. Os dois movimentos são os principais destaques dos dados divulgados pelo Banco Central referente ao mês de julho, apesar da persistente redução da taxa de crescimento anual do crédito ao longo do ano de 2014 e o recuo de 4,0% na margem das concessões.

Carteira de Crédito no SFN

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Em julho, a carteira de crédito do SFN, incluindo recursos livres e direcionados, atingiu R$ 2,8 trilhões, apresentando crescimento anual de 11,4% ante 11,8% registrados no mês imediatamente anterior. Com recuo de 0,5% na margem, destaca-se a desaceleração do crédito com recursos livres, que passou de 5,5% em junho para 5,0% em julho na comparação anual. Após crescer por quatro meses consecutivos, a relação crédito/PIB recuou para 56,0%, ante 56,3% em junho, mesmo patamar observado no final de ano de 2013.

Há a expectativa de que as recentes medidas anunciadas pela autoridade monetária para alocação de capital regulamentar para risco de crédito e o cumprimento da exigibilidade do compulsório a prazo possam reverter esta tendência.

A carteira composta por recursos livres, que contribuiu para a desaceleração do crescimento do crédito total, atingiu o saldo total de R$ 1,5 trilhão em julho. Em sua abertura, o destaque vai para o comportamento do crédito às empresas, agora em patamar inferior aos R$ 763 bilhões observados ao final de 2013, atingindo R$ 756 bilhões em julho, com recuos de 0,9% no ano e 1,1% na margem. Por modalidade, a desaceleração foi motivada pelo desempenho negativo de conta garantida, capital de giro e desconto de duplicatas (que juntos somam cerca de 60% do crédito total às empresas).

Já os recursos direcionados mantiveram a tendência observada ao longo do ano e apresentam crescimento semelhante ao observado no mês anterior, com avanço de 1% na margem. O destaque ainda continua sendo o crédito habitacional, que manteve o crescimento anual na casa dos 28% e atingiu o volume de R$ 393 bilhões.

Concessão de Crédito

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As concessões de crédito em julho somaram R$ 306 bilhões, com recuo de 4,0% na margem e acréscimo anual de 8,1%. Os recursos direcionados (R$ 41 bilhões), apresentaram queda mensal de 13,6% e crescimento anual de 9,2%. Os empréstimos a empresas e famílias, com recursos direcionados, contabilizaram decréscimo de 17,1% e 9,4 no mês e ampliação anual de 5,6% e 14,2%, respectivamente.

Já as concessões com recursos livres (R$ 265 bilhões) apresentaram queda de 2,3% no mês e aumento anual de 7,9%. Os recursos voltados às pessoas físicas avançaram 3,9% no mês e 13,1% em 12 meses.

Na mesma base comparativa, os recursos para pessoas jurídicas recuaram em 8,9% e ampliaram em 2,8%

Concessão Diária de Crédito

Considerando-se apenas os dias úteis, a média diária de julho (R$ 13,3 bilhões), representou uma queda de 16,5% na margem e ampliação anual de 4,1%. Os recursos livres apresentaram uma concessão média diária de R$ 12 bilhões, recuando 15,0% na margem com crescimento anual de 3,1%, sendo 54,9% deste fluxo composto por concessões às pessoas físicas e 45,1% às pessoas jurídicas. Aquelas operações com recursos direcionados (R$ 1,8 bilhões/dia) desaceleração de 24,8% na margem e aceleração anual de 10,7%.

Taxas de Juros, Captação e Spread Bruto

Em julho, a taxa média de juros das operações de crédito do SFN avançou para 21,4%, valor ligeiramente acima do observado em junho e ao da média de 2014, ambos em 21,1%. A taxa média de captação foi de 8,3% a.a., caindo 0,1 p.p. na margem e com elevação de 0,6 p.p. em 12 meses. O comportamento relativamente estável da taxa média de captação, mesmo diante do aperto monetário realizado pelo Banco Central desde meados de 2013 – aumentando a taxa SELIC em 3,75% – possibilitou a ampliação do spread bruto bancário no período em referência, que atingiu 13,1% no mês de julho, aumentando em 0,4% p.p. na margem, e 1,7% em 12 meses.

Prazos da Carteira e Concessão

Em julho, o prazo médio da carteira foi de 51,9 meses, ampliando 0,7 mês na margem e 3,1 meses na comparação de 12 meses. Nas operações com recursos livres o prazo médio da carteira foi de 17,2 meses com ampliação de 0,3 mês na margem e desaceleração de 0,3 mês em 12 meses. O prazo médio da concessão de novos créditos, no mês de julho caiu para 99,2 meses ante 101,2 meses em junho.

Inadimplência e Atraso

A taxa de inadimplência mostrou estabilidade em 3,0%, o menor nível histórico da série iniciada em março de 2011. Nos segmentos de pessoas físicas e empresas, o indicador mostrou estabilidade em 4,3% e 2,0%, respectivamente. Na variação em 12 meses, observa-se a redução de 0,3 p.p., apresentando a décima nona queda consecutiva. Em suma, no mês de julho houve recuo generalizado em toda abertura, considerando a variação anual. Vale destacar a manutenção da inadimplência da carteira de recursos direcionados em 1,0%, apresentando comportamento homogêneo desde o inicio da série, tanto para pessoa jurídica como para pessoas físicas.

Inadimplência Rec. Livres

A taxa de inadimplência nas operações com recursos livres atingiu 4,9%, apresentando leve crescimento de 0,1p.p. na margem e queda de 0,3p.p. em 12 meses. A inadimplência para pessoa física passou de 6,5% para 6,6%, mesmo comportamento observado para pessoa jurídica que avançou para 3,5% ante 3,4% em junho. Dentre as modalidades mais representativas dos recursos livres, a inadimplência do capital de giro (4,0%) apresentou acréscimo de 0,1p.p. na margem e 0,2p.p. em 12 meses, no crédito consignado a inadimplência ficou estável no mês e desacelerou 0,2p.p. em 12 meses.

Fonte: ABBC

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