Em setembro, o crescimento do saldo do crédito total reverteu o movimento de desaceleração, avançando 11,7% em 12 meses ante 11,1% em agosto. As concessões também se elevaram, tanto no volume quanto no critério de dias úteis. O movimento de setembro foi basicamente influenciado pelo forte crescimento da carteira direcionada, particularmente a do BNDES, que cresceu na margem 2,3% e beneficiou-se do efeito da desvalorização cambial. Apesar desses números positivos, os empréstimos com recursos livres ainda não reagiram, sendo necessário que se aguarde as próximas divulgações para confirmar uma reversão de tendência. Em setembro, o estoque de crédito do SFN, incluindo recursos livres e direcionados, atingiu R$ 2,90 trilhões, ou 57,2% do PIB. Isso equivale a um crescimento anual de 11,7% ante 11,1% registrados no mês anterior. O resultado quebrou a tendência observada ao longo do ano de 2014, constituindo-se como o primeiro avanço na taxa anual de crescimento desde o início do ano. O resultado positivo também se configurou na margem, com avanço de 1,3% em relação a agosto.

O bom resultado em setembro se explica, em larga medida, à recuperação de folego do crédito direcionado. O segmento avançou de maneira significativa em setembro, com crescimento de 20,6% ante 18,9% no mês anterior. O principal destaque da abertura – e grande responsável pelo avanço do crédito total – foi o desempenho do crédito às empresas (conforme gráfico em destaque). A performance do BNDES foi importante e merece ênfase por também apresentar seu primeiro avanço em 2014, passando de 11,0% a.a. para 14,4% a.a. em setembro (saldo total de aprox. 600 bilhões).

Em contrapartida, a carteira composta por recursos livres recuou para 4,8% a.a. ante 5,0% a.a. em agosto. Na abertura, o crédito para pessoas físicas atingiu 5,1% a.a., enquanto que os empréstimos para pessoa jurídica desaceleraram para 4,4% a.a. ante 5,0% a.a. em agosto.

Concessão de Crédito

Em setembro, as concessões de crédito somaram R$ 328 bilhões, com avanço de 7,5% na margem. Em julho e agosto, a concessão total teve performance abaixo da média dos últimos 12 meses, porém no mês de setembro mostrou um resultado melhor, crescendo cerca de 9,5% em relação à setembro de 2013. A concessão de créditos livres atingiu R$ 278 bilhões em setembro (+7,4 m/m), enquanto a concessão total com recursos direcionados marcou R$ 49,5 bilhões (+8,1% m/m).

Considerando o valor acumulado em 12 meses, ainda observa-se uma forte queda no ritmo de expansão das concessões de crédito direcionado próximo da casa de 10% a.a., além de relativa estabilidade no crescimento das concessões de crédito livre em 7% a.a., conforme gráfico em destaque.

Taxas de Juros

Em setembro, a taxa média de juros das operações de crédito do SFN recuou para 21% ante 21,1% em agosto, valor acima da média observada em 2013, de 19%. Na abertura, a taxa média aplicada às empresas, considerando recursos livres e direcionados, manteve-se em 18%. Para o consumidor, a taxa de juros média caiu 0.4 p.p. , atingindo 27,5%.

Com a aproximação de um novo ciclo de aperto monetário, é de se esperar algum impacto nas taxas praticadas, confirmando a tendência de alta desde meados de 2013.

Inadimplência e Atrasos

Pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de inadimplência mostrou estabilidade em 3,1%, ainda próxima ao menor nível histórico da série iniciada em março de 2011. Em relação a setembro de 2013, houve queda de 0,2 p.p.. Nos segmentos de pessoas físicas e empresas, o indicador mostrou estabilidade em 4,4% e 2,0%, respectivamente. Atrasos continuam caindo e sugerem que a taxa de inadimplência terminará o ano como começou.

Vale destacar a manutenção da inadimplência da carteira de recursos direcionados em 1,0%, apresentando comportamento praticamente homogêneo desde o início da série, tanto para pessoa jurídica como para pessoas físicas. A carteira de recursos livres também mostrou estabilidade em 5%, ligeiramente acima da média do ano de 2013 e 2014, em 5,2% e 4,9%, respectivamente.

Fonte: ABBC

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