Atentas aos movimentos na internet, muitas empresas já estão criando as suas próprias redes sociais corporativas. A ideia é não parar no tempo e conseguir levar as mudanças na forma de se comunicar para dentro do ambiente de trabalho.

“Chegamos a proibir conversas de funcionários em redes sociais abertas, mas percebemos que o problema estava do nosso lado, que não estávamos sendo eficientes na hora de comunicar. Então decidimos parar de remar contra a maré e estimular o acesso”, diz Luciano Bottura, gerente de comunicação da Sony, companhia que, em setembro, criou a sua própria comunidade de relacionamento na internet. Chama de GoMarket, a rede tem acesso limitado aos profissionais de promoção, marketing, treinamento, comunicação e vendas, mas ainda deve ser aberta a toda a equipe. Dos cerca de 3 mil funcionários da empresa no Brasil todo, mil já estão conectados pela ferramenta.

Outras corporações já pensam mais à frente e usam as redes sociais para fomentar o desenvolvimento de um componente que hoje é essencial para quem quer ser líder de mercado: a inovação. Uma delas é a Sanofi. O Programa Idealizar foi implantado em toda a compania no início de 2012 e através dele já surgiram mais de 360 ideias.

Funciona como uma rede social tradicional. Cada colaborador cria o seu perfil e pode sugerir novos produtos e processos para a companhia. “Na própria plataforma, explicamos o que é inovação para orientar as sugestões. Nosso recorte é: algo novo, pelo menos para a indústria farmacêutica, e que gere resultados de médio a longo prazo para a empresa”, diz Carolina Wosiack, gerente de desenvolvimento estratégico da Sanofi e responsável pelo programa.

Assim como no Facebook, por exemplo, para cada ideia que surge no Idealizar, há os botões de curtir e espaço para comentários. Assim, uns podem colaborar com a criação dos outros. “Noventa por cento das ideias começam de um jeito e terminam de outro”, afirma Carolina.

De todas as sugestões que nasceram no projeto, cerca de 14% estão sendo analisadas ou colocadas em prática, as chamadas potenciais. Para chegar a ser implementada, cada ideia precisa passar por dois filtros. No primeiro, o Comitê de Gestão da Inovação da Sanofi verifica o seu grau de novidade, o retorno que ela trará para a companhia, e se é rentável ou não.

Após esta etapa, é analisado o valor que a proposta traz para a companhia, se está dentro dos recursos e dos objetivos da empresa e de que maneira ela será viabilizada. Caso aprovada, a ideia ganha um “sponsor”, uma espécie de padrinho responsável por mover a empresa para torná-la real. Já quando a sugestão é considerada inviável, em 100% dos casos o seu criador recebe uma mensagem explicando o porquê.

Um dos exemplos bem-sucedidos, criado a partir do Programa Idealizar, é o Dermacyd Amenity, que consiste basicamente em comercializar o sabonete íntimo Dermacyd, produzido pela Sanofi, em hotéis e motéis. As unidades começaram a ser distribuídas em outubro. “Hoje, só 15% das mulheres usam sabonete íntimo, queríamos aumentar esse mercado”, explica Fábio Barone, diretor de Consumer Health Care da Sanofi. “E com o Amenity, nós diminuímos o custo e as barreiras de experimentação para a nossa marca”, completa Carolina.

Quem contribui com o Programa Idealizar – seja com sugestões originais ou colaborações para ideias de outros funcionários – é reconhecido pela Sanofi. A cada ação, são acumulados pontos que podem ser trocados por prêmios como produtos de parceiros ou treinamentos. A adesão ao projeto e cerca de 70% do pessoal da Sanofi têm perfil na rede social corporativa.

Para o professor da FIA, Celio Placer de Almeida, usar as redes sociais como instrumento de incentivo à inovação, é uma evolução natural do processo de estimular novas ideias. Segundo ele, tudo começou com a 3M.”Ao invés de desenvolverem novos produtos, eles começaram a desenvolver novos conceitos”, afirma. E assim é que foi invetado o Post-it, nos anos 1980.

Na década seguinte, de acordo com o professor, as empresas começaram a usar redes internas para solucionar desafios. “A BASF, por exemplo, lançava perguntas na intranet e todo mundo respondia. Hoje, com a troca de informações na internet e o surgimento do conceito de rede social, também viu-se que ali é possível criar uma plataforma para tirar dúvidas e surgir novas ideias”, defende.

A estratégia de jogar desafios na rede ainda não saiu de moda. A CPFL Energia, através da sua própria rede social voltada para a inovação, periodicamente propõe problemas e recebe sugestões de seus funcionários para resolvê-los.

O programa é chamado Usina de Ideias, e existe desde 2012. O sistema funciona de forma parecida com o da Sanofi: os colaboradores criam perfis, dão sugestões e contribuem com as criações dos colegas.

Por meio dele, já surgiram 1.069 ideias, das quais 15 já foram colocadas em prática e 18 estão em fase de implementação. Uma delas, é uma ferramenta pela qual os clientes da companhia elétrica poderão acompanhar o andamento de suas solicitações através de SMS que serão enviados pela empresa. O projeto deve estar funcionando já no início de 2014.

“Nosso objetivo não é só criar ideias ‘super fora da caixa’, mas desenvolver uma cultura na qual as pessoas pensem em como elas podem trabalhar diferente”, diz o diretor de Estratégia e Inovação da CPFL Energia, Fernando Mano.

Assim como na Sanofi, para que uma ideia seja implementada, ela precisa ser avaliada por um comitê de facilitadores, formado por representantes de cada área da empresa e coordenado pelo setor de inovação. São analisados o impacto de implementação e o grau de inovação de cada sugestão. Nos casos em que elas não são adotadas, também há um retorno individual.

Dos cerca de 7 mil funcionários da CFPL no Brasil, aproximadamente 2 mil têm cadastro na rede social. Para os que têm ideias aprovadas, também há prêmios. No ano passado, os criadores das cinco melhores contribuições receberam um tablet.

“O fenômeno de associar as redes sociais à inovação deve ser mais estudado. É um caminho com um pontencial enorme. Acho, inclusive, que pode ir além do círculo interno e ser estimulado entre os clientes das empresas”, analisa o professor Celio Placer de Almeida.

 

Fonte: Exame

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