“2014 no Brasil? Será ruim”, questiona e responde Donald Feinberg, vice-presidente e analista emérito do Gartner, ao observar o cenário econômico que se desenha para o País no próximo ano. Na visão do consultor, a menos que a indústria de turismo faça um excelente trabalho, o crescimento local ficará praticamente estagnado, repetindo números de 2013.

Há reticências no ar. Recentemente, um executivo responsável pelos negócios de uma fabricante de equipamentos de rede para a América Latina, falou que não está muito confiante para passar projeções de crescimento da subsidiária para seu chefe. O sinal de alerta se acendeu.

“É uma charada”, endossou Benjamin Quadros, CEO da BRQ IT Solutions, sobre como serão os próximos 12 meses, em conversa com CRN Brasil há algumas semanas. Ele adicionou: “teremos cinco fevereiros”, fazendo alusão ao segundo mês do ano, tradicional pelo carnaval (evento que, quando acaba, informalmente marca o reinício da vida econômica do País).

Ocorre que a festa popular, no ano que vem, acontecerá em março. Depois disso, é provável que as engrenagens econômicas brasileiras praticamente parem por mais dois meses logo na sequência durante o período da Copa do Mundo. Se não bastasse, passado isso, vem eleição presidencial. Considerando o próprio mês de fevereiro, são cinco meses de marasmo. Toda essa movimentação pode gerar pouca demanda no B2B.

Contudo, não vamos pintar um quadro absurdamente pessimista. Mesmo com a economia pregando peças e a projeção de crescimento constantemente sendo revista para baixo ao longo dos últimos dois anos, o setor de TI “vai bem, obrigado”. Portanto, independentemente de o produto interno bruto (PIB) brasileiro crescer 1% ou 2% apenas, a estimativa é que a indústria de tecnologia evolua.

Os investimentos tendem a crescer. Dados da IDC apontam para evolução de mercado entre 8 a 10% sobre os resultados desse ano. O Gartner, mais conservador, aponta para crescimento de 3,6% em relação a 2013, com um volume transacionado chegando a US$ 129,7 bilhões.

Os bons ventos sopram a favor porque se trata de um setor que permeia todos outras indústrias e é encarado como uma forma de fazer as companhias se diferenciarem – algo fundamental em momentos de retração. E esse discurso é repetido até pelo governo.

Prepare a estratégia

Alguns especialistas indicam que o que vivemos atualmente na economia difere-se das crises do passado. A visão agora é que se trata de uma instabilidade que se estenderá por um longo período, contra turbulências curtas e intensas de outras épocas.

Para isso, seria preciso se preparar de uma forma diferente, olhando para uma estratégia mais certeira de atuação mirando o longo prazo e, no curto prazo, direcionando esforços a verticais com potencial de expansão independente de investimentos externos e ações não apenas que visem a “otimização” de custos (que é quase sempre a primeira saída do empresário nacional), mas movimentos para endereçar novas receitas.

Outro ponto destacado são questões relativas à política. Alguns empresários do setor tem expressado opinião de que o Estado – com uma posição clara de incentivar o consumo em detrimento de fortalecer os setores produtivos – tem colocado “sua mão forte” sobre o mercado.

Essa opinião não está, de toda forma, equivocada. Se olharmos a quantidade de “marcos regulatórios” em tramitação poderemos ter uma ideia quanto a essa questão, sendo que muitos projetos tocam diretamente a indústria de TI.

Uns choram, outros…

Para Cesar Gon, presidente da Ci&T, 2013 foi um ano de desafios, “mas vamos terminar com um crescimento razoável, da ordem de 30%”, diz o executivo. Com isso, o faturamento – que no ano passado ficou na casa dos R$ 180 milhões – possivelmente ultrapassará a marca de R$ 200 milhões.

A empresa prepara o lançamento de uma série de ferramentas, algumas endereçadas a mercados verticais, como o de seguradoras, por exemplo. Ele não dá muitos detalhes sobre o rumo disso.

Gon aconselha que se observe para onde caminha a indústria de tecnologia da informação de uma forma mais ampla. O executivo observa o período de disrupção quanto ao uso da tecnologia. “Atualmente o maior parceiro tecnológico da Ci&T é o Google”, comenta. A companhia, diz, vem usando ferramental da gigante de buscas para criar soluções que gerem tragam benefícios tangíveis aos clientes.

A ideia é que, com uma estratégia correta, é possível fornecer soluções com 10 vezes mais valor saindo por um décimo dos custos. “A competitividade se acirra na ponta. O consumidor exige mais das marcas, o que impacta no ecossistema de fornecimento e em TI”. Aos provedores de tecnologia resta a tarefa de desconstruir modelos e levar soluções.

Sobre o ano que vem, o empresário dono de um perfil questionador do status quo que rege as engrenagens de TI sentencia que, independente do desempenho econômico, haverá crescimento. “As empresas estarão mais abertas a ouvir”, adiciona.

 

Fonte: Ciab

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