Em 2005, um grupo de 18 empresas novatas se espremia pela primeira vez em um estande coletivo de 260 metros quadrados no Ciab, o maior evento de tecnologia para o setor financeiro da América Latina. Elas estavam ali para exibir ao seleto público da feira soluções inovadoras desenvolvidas por seus negócios. Mais que isso, as participantes do primeiro Espaço Inovação, como foi batizado o estande, protagonizavam o início de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia de Software (ITS) e a FEBRABAN que viria a se consolidar nos anos seguintes como a maior vitrine para startups brasileiras do segmento de tecnologia aplicada ao setor financeiro. “Nossa ideia inicial era aproximar dois universos: o das pequenas e médias empresas e o das grandes corporações do setor bancário e de TI”, diz Descartes Teixeira, presidente do conselho gestor do ITS e um dos idealizadores do projeto. “Enquanto as pequenas buscam visibilidade, as grandes querem conhecer soluções modernas e eficientes para seus negócios.” Os resultados recentes mostram que o Espaço tem sido terreno fértil para a união desses dois universos.

Em dez edições, o Espaço recebeu cerca de 170 empresas e lançou 225 soluções inovadoras. Muitas se tornaram ferramentas reconhecidas e adotadas no mercado – estima-se que 50% das ideias apresentadas se tornaram produtos e passaram a ser comercializadas. A aceitação fez com que as empresas expositoras, então startups, se consolidassem como fornecedores de soluções de TI no Brasil e também no exterior, alavancando suas vendas e presença internacional. Segundo estimativa do ITS, pelo menos 12 pequenos negócios que passaram pelo estande coletivo hoje estão internacionalizados. “As empresas que chegam ao Espaço estão lá por mérito, após passar por um crivo técnico rigoroso, e isso é cada vez mais reconhecido no mercado”, diz Descartes Teixeira.

Outra participante da edição deste ano, a empresa mineira Simply deixou de ser novata nessa área do Ciab há algum tempo. A companhia de automação bancária levou seu primeiro produto ao local, o Simple Front, em 2011. Nos anos seguintes, fez da sua participação no estande coletivo uma espécie de “laboratório” para a solução que seria lançada em 2014, a S-Works, que reúne e integra diferentes tecnologias em uma plataforma para formalização eletrônica de documentos.

Segundo Caroline Gomes, analista de marketing do grupo Simply, a empresa amadureceu a ideia que deu origem à S-Works dentro do Espaço Inovação. “Com o networking proporcionado na feira e contato com outros parceiros do estande, evoluímos para esse novo produto”, diz ela. “Além disso, a cultura empreendedora e a imagem institucional da empresa foram reforçadas durante as nossas participações no Espaço.” Após o lançamento da plataforma S-Works na última edição do Ciab, a Simply espera alavancar seu faturamento em até 30%.

Banco-do-Futuro

Por trás dos resultados positivos do Espaço Inovação, está um processo de seleção e reparação rigoroso, que se inicia pelo menos seis meses antes de cada edição do Ciab. Em janeiro, o ITS começa a receber as inscrições de empresas interessadas em estar no estande coletivo, hoje com cerca de 300 metros quadrados. Segundo Descartes, em média, entre 40 e 50 empresas se inscrevem a cada ano. Após um período de avaliação, um comitê formado por 15 pessoas, entre professores universitários, consultores de empresas e representantes da Febraban e do ITS, escolhe quem estará no estande do próximo Ciab em uma reunião final, em maio. “Nosso objetivo é avaliar a solução inovadora que está sendo proposta, não a empresa”, explica o executivo do ITS.

Nas próximas edições, o objetivo dos organizadores é continuar surfando esta onda, mas com a preocupação de incluir cada vez mais soluções de diferentes áreas de negócios. “Vamos dar ênfase a tecnologia de ponta em áreas novas, como cloud computing e mobile payment”, afirma o executivo do ITS. Outro foco são as ferramentas de alcance social, para inclusão de minorias, como deficientes visuais. “Acima de tudo, queremos consolidar a ideia de que Febraban é um lugar onde as PMEs podem se ‘exibir’ e mostrar ao mercado que não precisam ser grandes para inovar.”

Fonte: Revista CIAB

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